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Novidades Literatura portuguesa

Alexandre O'Neill, A saca de orelhas, Lisboa, Sá da Costa, 1979

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1ª edição;

76 pp.; 20 cm

Exemplar em muito bom estado. 

Página sobre o autor na Biblioteca Nacional: https://alexandreoneill.bnportugal.gov.pt

 

Alexandre O'Neill

Poeta.

De seu nome completo Alexandre Manuel Vahia de Castro O'Neill de Bulhões, frequentou a Escola Náutica e acabou seguindo a carreira de publicitário, de cuja actividade não raro contrabandeou para a poesia, com o maior à-vontade e não menor eficiência, técnicas várias onde se destaca, por exemplo, a economia do texto. E o contrário também foi verdadeiro, pois slogans há de sua autoria que, na memória do grande público, ficaram muito para além do tempo e do motivo da criação devido à arte poética que os enforma.

Em 1947, fundou, com António Pedro, Mário Cesariny de Vasconcelos, José Augusto França e alguns outros, o Grupo Surrealista de Lisboa, de que se acabará desligando, desencantado, mas não deixando nunca de ser de alguma forma refém dessa sua primeira experiência que lhe proporcionou a estreia com o poema gráfico A Ampola Milagrosa (1948).

Em 1951, já afastado daquele movimento mas a cuja experiência ainda então se refere, publica a primeira colectânea de poemas, Tempo de Fantasmas, a que se seguiriam dez outras, a última das quais no ano da sua morte, bem como dois volumes de narrativas.

O desencanto por tudo o que o rodeava, e que não raro se vestia de um humor sentimentalmente descomprometido, com traços de ironia, mais desdenhosa do que cáustica, alarga-se até àquilo mesmo que escreve. Aliás, como muito bem lembra Clara Rocha, O' Neill, que «tem realmente muito de artesanato da palavra, de artefacto, de técnica», povoa a sua mais tardia poesia de palavras formadas com o prefixo negativo «des», prefixo a que, para do poeta melhor falar, não raro tivemos também de recorrer.

Antiliterário militante (e desfazedor das artes poéticas costumeiras), mas poeta de vanguarda, não desdenha como tal piscar o olho a um Cesário Verde, ao seguir-lhe certos meios de qualificar e demonstrar, ou mesmo a outros poetas habitualmente menos influentes.

Senhor de uma técnica de comunicação escrita ímpar, a sua poesia devia, como tal, ser estudada nas escolas se as escolas por essa ferramenta se interessassem. Mas deixemos esse País Relativo, «por conhecer, por escrever, por ler...», e lembremos, ainda com Clara Rocha, que O' Neill «começa por procurar a liberdade do homem na liberdade da palavra» e que «mesmo que nem sempre se adira ao modo como o fez, a verdade é que sabe bem ler esta poesia divertida mas que incomoda, inventiva e contudo bem enraizada numa tradição literária portuguesa (mesmo se em certa hora "por pouco não nos chamaram Os Franceses") e que nos fala de um destino colectivo com o qual nos sentimos por força identificados.»

Alexandre O' Neill colaborou na década de sessenta nos suplementos literários «Vida Literária», do Diário de Lisboa e «Cultura e Arte» de O Comércio do Porto, e dirigiu com Palma-Ferreira e Carlos Ferreira a revista Critério (1975-1976). Tem ainda colaboração poética dispersa, entre outros, pelos seguintes jornais e revistas literárias: Litoral (1944-45), Mundo Literário (1946-48), Unicórnio (1951), Pentacórnio (1956), Europa (1957), Diálogo (1957-58), Notícias do Bloqueio (1957-1962), Cadernos do Meio-Dia (1958), Cronos (1965-1970), Silex, de cujo conselho de leitura fazia parte (1980), e Jornal dos Poetas e Trovadores (1983).
in: Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, Lisboa, 1998

 


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