Alexandre Herculano, O Panorama, Jornal literário e instrutivo, Sociedade de propaganda dos conhecimentos úteis, Lisboa, 1837-1858, 15 vv.

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O PANORAMA, Jornal literário e instrutivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos úteis. Publicado todos os Sábados. Lisboa, na Tip. da mesma Sociedade 1837 a 1858.

O jornal foi suspenso em Dez. de 1844 e recomeça em 1846. A publicação é interrompida de novo em Nov. de 1847. Volta a ser publicada entre Set. de 1852 e Dez. de 1858, voltando a ser suspensa até 1866.

Referência: 

— Inocêncio 6, 335-336

— Inocêncio 17, 136-137

O Panorama: Inocêncio Vol. 6, 335 - 336: 

Ainda saíram mais três tomos, 5ª série, que começou no ano de 1866 e findou em 1868. A colecção completa é de 18 tomos. A publicação do Panorama fez-se em cinco series deste modo: 5 tomos nos anos de 1837 a 1841 (1ª série); 3 tomos nos anos de 1842 a 1844 (2º série); 5 tomos, nos anos de 1852 a 1856 (3º série); 2 tomos nos anos de 1857 e 1858 (4ª série; e 3 tomos nos anos de 1866 a 1868 (5ª série, em falta). 

A Sociedade, organizada pelos incessantes esforços de alguns amigos da civilização, entre os quais muito se distinguiu o Sr. Manuel António Viana Pedra, convidou para a redacção do seu jornal ao Sr. Alexandre Herculano que pouco antes resignara ao lugar de Bibliotecário da Biblioteca Pública Portuense, em razão das mudanças políticas de 1836. O modo como o ilustre redactor desempenhara o encargo que lhe foi cometido, patenteia na carta publicada no n.º 68 do mesmo periódico (18 de Agosto de 1838); que a direcção lhe dirigiu com data de 31 de Julho, em virtude de deliberação tomada em Assembleia Geral dos Accionistas. Em Julho de 1839 já o Sr. Herculano havia deixado o lugar de principal redactor, como se vê da declaração inserta no n.° 115 de 13 do dito mês (nota a pág. 221). Da mesma Sociedade foram directores, desde a sua instalação em 1837 até a dissolução em 1845, o já citado Sr. Viana Pedra, o Sr. J. C. de Figaniere (que de suplente passara a efectivo em 1841) e outros cavalheiros, cujos nomes figuram à frente dos respectivos volumes deste semanário.

 

O PANORAMA in Inocêncio Vol. 17, 136 - 137: “Em dois números do Conimbricense do ano 1896 (26 e 30 de Maio), publicou o Sr. Joaquim Martins de Carvalho duas cartas inéditas do ilustre historiador Alexandre Herculano. Nestes documentos, que opulentam mais a notável colecção que se nos depara no Conimbricense, vem umas informações referentes ao Panorama, à frente do qual, como se sabe, esteve Alexandre Herculano. Porque as julgo interessantes e devem ficar aqui registadas, como estão já outras de igual importância, transcrevo as em seguida: «... a economia da redacção do Panorama não teria grande aplicação a um jornal ou revista de Coimbra. Direi, todavia, a V. Exa. o que há na matéria. Eu obriguei-me por um contrato a ter sempre adiantados, no escritório da sociedade propagadora, quatro números do Panorama. Recebo por isto 40$000 réis mensais, devendo dar em cada número duas ou duas e meia páginas escritas por mim. Outras pessoas escrevem para o jornal, e a sociedade despende mais 320$000 réis anuais para isso, pagando a razão de quartinho por página. Os artigos alheios vêm todos à minha mão, e eu compagino os números. Eis aqui a economia da redacção. Nasce daqui que o jornal tem muito e muito que nada vale; porque muitas vezes o trabalho é feito sem amor; mas nem em França, nem em Inglaterra se fazem de outro modo semelhantes publicações; nem de outro modo é possível faze-las. Mas poder-se-á redigir uma revista, sem lucros para os que nela escreverem? Se os nossos literatos fossem mais ricos ou mais generosos, eu diria que sim. Mas na redacção de dois jornais destes entrei (Reportório e Jornal dos Amigos das Letras) e ambos vi cair por não darem interesse, apesar dos esforços de alguém que, sendo pouco abastado, trabalharia gratuitamente para que eles fossem avante, e que não os desamparou senão quando os viu desenganados do médico.» Noutra parte, Alexandre Herculano trata das gravuras que entravam no Panorama e faz uma revelação de valor para a historia das artes gráficas em Portugal. Aí se vê as dificuldades com que nessa época havia que lutar e os esforços que depois se empregaram no «Archivo Pittoresco» e, passados anos, no «Occidente», para desenvolver a arte de gravar em madeira no presente século, e da qual podem já apresentar se espécimens em confronto com outros do estrangeiro, onde a gravura chegou à mais alta perfeição e à mais atraente beleza. Alexandre Herculano escrevia: «... Pelo prospecto que V. Exa. me remete vê se que se trata de um jornal semelhante aos que por aí há, e que não são menos de doze; o defeito necessário de todos eles é que devendo ser variados, e sendo necessariamente muito limitados, nenhum objecto se pode tratar neles com a profundidade e extensão necessárias para que ele sirva de instrução real: os jornais populares prestam só para habituar o povo a ler, e para lhe converter o hábito da leitura em uma necessidade; mas para a verdadeira ciência são precisas as grandes revistas e os livros. Isto pelo lado literário. Pelo lado de interesses, crê V. Exa. que poderá sustentar se um novo jornal custando o dobro de qualquer outro, e sem estampas, contra doze jornais da mesma espécie, dos quais três ou quatro se acham já solidamente estabelecidos? Eu não o espero, por mais bem redigido que seja: do modo que vejo o pretendem dispor não é um jornal de homens instruídos, mas para o comum dos que lêem, e estes dificilmente largarão os que já tem para correrem a um novo. Quanto a dar algum dia estampas, a dificuldade está nos desenhos, está na gravura em madeira, único modo possível de as dar no meio do texto: aqui a direcção do Panorama oferece e paga avultadas somas para as obter nacionais, e ainda não pôde encontrar senão dois curiosos que trabalham quando lhes dá na cabeça, sendo carts ou clichés franceses e ingleses a máxima parte das estampas que neste jornal aparecem. Parece-me, portanto, que uma revista literária seria o melhor que haveria a fazer: esta não teria rival, porque a do Porto é seca de mais para ser lida ainda por grande número de homens de letras, e instrução mais que vulgar...». 

 

Inocêncio Vol. I, 35 e XXI, 32, 347, 348 e 500; sobre Alexandre Herculano “Os seus primeiros passos na carreira das letras colaborando no Panorama, onde ficaram os primeiros estudos históricos que o levaram para estudos mais importantes como os que ficaram na História de Portugal, e dando à luz o bom fruto procurando em fastidiosas investigações os elementos que lhe eram necessários entre documentos que se conservavam cobertos de pó, virgens nos arquivos monásticos Examinando, com efeito, alguns dos artigos por Herculano publicados nos primeiros cinco volumes do Panorama, apura-se que pertencem a épocas anteriores a 1834, isto é á sua estreia, como publicista, nas modestas colunas do Repositório Literário, do Porto, os seguintes quatro: Moral (Fragmento de um livro inédito). A Prostituição, veio á luz em o numero 161 do IV volume daquele semanário (1840). Moral (subtítulo igual ao antecedente). A Velhice. Impresso em o número 170 do predito volume. A Vida Soldadesca (subtítulo como acima). Lê-se em o número 203 do V volume do mesmo semanário (1841). Tem nota, de haver de continuar-se, o que se não deu. De Jersey a Granville. Episódio marítimo a que o próprio Autor fixou o ano de 1831, ao reedita-lo no II volume de Lendas e Narrativas. Foi originariamente publicado no volume II da 2.ª serie do Panorama, números 70 e 73, referido a 1843. Além destes quatro artigos, publicara já Herculano, «para servir de inteligência» à poesia A Victoria e a Piedade, precedido de uma Nota assaz característica, um «Fragmento» de «um livro já todo escrito no entendimento, mas de que só alguns capítulos» estavam «trasladados ao papel». O livro, segundo a referência que o próprio Autor assinava ao aludido fragmento, devia intitular-se: A Minha Mocidade, o capítulo a que este fragmento pertencia tinha por epígrafe: Poesia e Meditação. É este livro o de que o general Sr. Brito Rebelo publicou os restantes fragmentos no Archivo Histórico Portuguez, a que já a pag. 383 nos referimos. Constituem pois estes cinco diversos capítulos e os fragmentos acima aludidos as premissas das propensões literárias do Autor; premissas que tão alto depõem em favor das extensas e variadas faculdades da sua privilegiadíssima inteligência. Procuraremos agora fixar a provável ligação lógica do todo, e com ela a explicação do porque pospomos esta espécie de introdução á carreira de homem de letras resolvidamente abraçada por Alexandre Herculano, a partir de 1834. Assim obedecemos ao compromisso por nós expresso a pag. 347 do presente volume. Onde a dificuldade de extremar uns de outros artigos, concorrendo os de Herculano, sem assinatura, com outros, também sem ela, se apresenta mais irredutível, confessamo-lo, é no Panorama, no qual, principalmente nos primeiros anos, o Grande Escritor tão variadas matérias tratou, sem as distinguir com as duas prestigiosas iniciais, sequer, que posteriormente adoptou. Na verdade, há aí artigos nestes termos, que, pelo assunto que versam, não deixam a menor dúvida de serem da sua pena autorizada, e neste caso, erro seria não os mencionar. Outros se apresentam, porem, que, escritos para comentar, por exemplo, a estampa gravada que acompanha o popular hebdomadário, deixaram perplexidades tais em nossa limitada penetração, que por menos avisado tivemos fazer resenha deles. Preferimos assim a confissão sincera da nossa incapacidade para resolver as dúvidas ao abalançarmo-nos por palpite a macular com uma quasi voluntaria imperfeição obra que tanto aspiraríamos, se o tivéssemos por possível, a que saísse perfeita. Aventurando-nos a dar a público a bibliografia comentada da extensa Obra Herculanesca, não foi sem que muito de espaço atentássemos nas gravíssimas consequências que de tal resolução poderiam advir, não tanto para a nossa pessoal reputação nas letras, que é absolutamente invaliosa, mas – e aí púnhamos todo o nosso sentido – para o respeito que se deve à memória imperecedoura do Grande Escritor, e também para o decoro que é para guardar a quanto interessa ao que saiu da sua pena, tão prestigiosa quanto veraz e austera: A Dama pé de Cabra - O Bispo negro - A morte do Lidador - O Parocho da Aldeia - De Jersey a Granville. Quase todos estes romances haviam já sido insertos no Panorama, ou na Illustração”.


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